Desafiando a noção de que beleza é algo subjetivo, o filósofo, autor e fundador da School of Life em Londres, Alain de Botton, apresenta seis fatores fundamentais para fazer uma cidade atrativa.

Preferir viajar para Paris, em vez de Frankfurt, por exemplo, tem uma explicação científica. De acordo com o filósofo, autor e fundador da School of Life em Londres, Alain de Botton, a capital francesa é mais organizada e possui mais vida visível do que a cidade alemã. Ele estudou as características que tornam uma cidade atrativa e acabou por chegar a seis fatores fundamentais:

1. Variedade organizada

Nem muito caótica, cheia de construções com formatos distintos, nem organizada demais, com todos os imóveis iguais. A ideia é ter um equilíbrio, uma “variedade organizada”. O filósofo cita como exemplo a praça da cidade velha, em Praga, na República Checa, onde todas as construções têm a mesma altura e largura, mas possuem cores e formatos distintos.

2. Vida visível

Cidades com mercados, praças e parques tendem a ter mais pessoas a circular nas ruas, trazendo vivacidade ao espaço. “As pessoas fazem coisas nas ruas ou em espaços visíveis. Dá sensação de transparência e bem estar saber o que a outra pessoa está a fazer”, explica o filósofo. Centros urbanos com mercados, feiras e atividades ao ar livre contribuem para essa sensação. É o caso de Hong Kong.

3. Espaços úteis e compactos

As cidades devem ser compactas, com espaços públicos e privados intercalados entre si. Elas devem ser planeadas para atender a todas as pessoas e isso inclui não pensar nas ruas somente para os carros, mas sim em harmonizar todos os meios de transporte. “É a ideia de tornar a praça uma extensão da casa, um espaço onde nos podemos encontrar com amigos, tomar café, ler um jornal”, conta. De acordo com o filósofo, as praças ideais não devem ultrapassar 30 m de diâmetro e as pessoas devem conseguir ver de uma ponta a outra da mesma. Um exemplo é a Piazza de Santa Maria, em Roma. 

4. Equilíbrio entre orientação e mistério

Uma cidade atrativa deve ter um equilíbrio entre orientação (saber onde se está e o que se pode encontrar) e mistério (a surpresa de não saber exatamente o que se vai encontrar). Deve ser um misto entre ruas largas, onde se pode ver tudo, e estreitas, que dão ao utilizador a sensação de encontrar espaços “escondidos”.

5. Escala

Segundo Alan, as cidades perfeitas devem ter prédios, na sua maioria, com até cinco pisos. Isto porque atualmente há um número elevado de arranha-céus nas cidades que, muitas vezes, não nos permite ver o horizonte. “Isso aumenta a sensação de insignificância das pessoas”, explica. Para ele, as cidades planeadas, com regras e mecanismos de regulação da construção e ocupação dos espaços, tendem a ser mais atraentes. 

6. Ser local

A arquitetura deve ter em conta as especificidades locais. “Não queremos que todos os projetos sejam iguais em todos os lugares”, conta o filósofo. A cidade precisa de manter certas características tradicionais, como é o caso de Cambridge, onde muito dos seus edifícios são feitos dos mesmos materiais, transformando-os numa característica local.


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📌 Texto original disponível em: <https://casa.abril.com.br> acedido em: 12 de Novembro de 2020.